Uma aflição imperial
Enquanto a maré banhava a areia da praia, o Homem das Tulipas Holandês contemplava o oceano:
- Juntadora treplicadora envenenadora ocultadora reveladora. Repare nela, subindo e descendo, levando tudo consigo.
- O que é? - Anna perguntou.
- A água - respondeu o holandês. - Bem, e as horas.
- PETER VAN HOUTEN, Uma Aflição Imperial.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
- Eu me apaixonei pelos seus olhares, porque isso é tudo que eu sei verdadeiramente de você. Boa parte do que sei sobre ti foi entregue pelos seus olhos. Ah Anne... por que permites que encare se são as portas de tua alma?
- Quando eu não voltar mais terei a certeza de que alguém sabe que eu existi e não era carregada de coisas monótonas.
- Mas pra que isso? - continuei a encarar aqueles olhos amargamente doces.
- Porque no fundo no fundo, as pessoas vivem para serem notadas. Ninguém quer festa em velório, todos querem lágrimas; assim saberão que marcaram vidas. Eu quero viver para alguém. Não sou apenas os números da minha identidade e quero que os que estão ao meu redor percebam isso.
E como todas as noites ela se levantou e deixou as frases soltas no ar...
Sinto falta daqueles momentos mais do que o ar quando prendo a respiração. Nunca soube muito sobre a vida dela, só que ela e chamava Anne. Simplesmente assim, sem sobrenomes, pais e endereço. Tudo se resume em apenas Anne, uma praça e noites que começavam a partir das dez.
Segunda lembrança, Os contos de Anne.
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